quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Bonequinha de Luxo e o Novo CD do Beirut



Holly Golightly: You know those days when you get the mean reds?
Paul Varjak: The mean reds, you mean like the blues?
Holly Golightly: No. The blues are because you're getting fat and maybe it's been raining too long, you're just sad that's all. The mean reds are horrible. Suddenly you're afraid and you don't know what you're afraid of. Do you ever get that feeling?


Hoje I get the mean reds. E nada melhor pra fazer nesses dias do que se afogar em chocolate e refrigerante, pra depois get the blues, porque você está getting fat. E nada melhor pra escrever do que sobre frustações.

E então vem Beirut. Minha banda preferida, meu último xodó musical. Lançou outro CD, que é, na verdade, uma junção do que seriam dois EPs. Eu estou aguardando ansiosamente por isso desde o ano passado, quando eu li que a primeira parte ia ser baseada em músicas mexicanas de casamentos e funerais, e que ia ter direito a mexicanos tocando e gravações no México, e, caramba, eram músicas de CASAMENTOS e FUNERAIS! Só imagina o que é que podia sair disso!

Já a segunda parte seria de música eletrônica. Ele já tinha algumas músicas assim, que eram ótimas, nos cds anteriores. E depois eu pensava que a música eletrônica é o campo mais ilimitado da música. É o que te dá mais liberdade, acho, pra fazer o que quiser e reinventar qualquer coisa, e criar incoerências que funcionam. É o lugar mais proprício pro "novo". E eu pensava de novo: imagina todas essas possibilidades nas maõs de um gênio musical feito o Zach Condon? (Pode parecer exagero de fã, mas eu ainda acho ele, o Win Butler e o Jack White os caras mais promissores da nossa geração).

O CD vazou. Um mês antes do esperado. Minha primeira reação foi gostar com aquele fanatismo que só alguém que sabe que está errado tem. Eu pensava que era um CD pra ser digerido. Acontece que não é. Mas, vejam, também não é um CD ruim. Alguém na comunidade disse: "impecável nas duas propostas", e realmente é isso: impecável. Sem pecados. Mas sem ultrapassar ou reinventar essas propostas em nenhum momento. É um CD que não passa dos limites. Fosse qualquer outra banda, provavelmente eu gostaria dele. Mas é Beirut e foi uma decepção.

A primeira parte(com algumas exceções) é arrastada. As músicas não mudam muito de ritmo, ou demoram mais do que o necessário pra mudar, simplesmente não empolgam.
A segunda parte, eu achei melhor. Mas é música eletrônica. Ele não usou todas as possibilidades pra criar algo novo, não: fez só música eletrônica. Coisa que vários outros já fizeram, inclusive ele mesmo - e melhor. Tanto que a melhor música dessa parte foi composta antes mesmo do Flying Club Cup.

Só pra dizer mais uma vez: não é um CD ruim. Eu até o recomendaria. Mas falta alguma coisa que eu não sei o que é. Ouçam, e se alguém descobrir o que é, me digam!

E só pra ilustrar o post e vocês enxergarem o que eu estou falando, as duas músicas mais faladas do CD

Da primeira parte, La Llorona, já com clipe oficial:


A segunda, My Night With a Prostitute from Marseille, só a música e uma imagem:




Finalizando: Beirut ainda é minha banda preferida. Mesmo porque eu não gostar só de um CD de um total de 3, e mais 3 EPs, é uma média excelente. E como eu já disse, ainda acho que o cara vai fazer muita coisa fora do sério, porque talento ele tem.

E quer saber? Vou dar mais algumas chances pra esse CD. Talvez ele realmente tenha que ser digerido.