
Vida nova em Franca do Imperador. Segundo minhas contas, essa é a minha 12ª mudança em 19 anos de vida, e isso me deixa muito orgulhosa, porque nunca encontrei alguém que tivesse ganhado de mim nesse quesito. Deve ser uma espécie de recorde, sei lá. O fato é que eu estou acostumada a todos os problemas de uma mudança, e nessa 12ª eu descobri que isso não faz diferença nenhuma, já que eles continuam acontecendo. Outra coisa que sempre me surpreende é o surgimento constante de problemas novos, o que me faz pensar que quem quer que seja o encarregado de inventar problemas deve ser muito criativo.
Pra começar, estou o mais distante que já estive da civilização normal. E sem carro. Só pra ilustrar, a coisa mais perto de um mercado que eu encontrei nos arredores é o "Varejão Berdu", a dez quadras da minha casa. Lá eu não encontrei nem nuggets, nem hot pocket, as coisas que eu melhor aprendi a fazer nos meus anos longe dos pais (pelo menos tinha miojo). Outra coisa qeu eu achei esquisita: o apartamento cortou uma tradição que me acompanhou nas minhas últimas 5 mudanças - ele não está perto de igreja nenhuma. Deve ser um sinal - sou uma pessoa tão boa que não preciso mais de igrejas por perto.
Além disso, descobri um lado no meu companheiro de ape - no caso, meu irmão - que anda me assustando. O Victor se tornou um ditador sádico com TOC. A última regra que ele inventou é que se deve lavar a louça no exato momento que se acaba de comer. Sujou um copo pra beber suco já tem que lavar o copo. Considerando que eu como o tempo todo, eu devo estar passando metade do meu dia lavando louça. E esse sábado ele disse que essa semana vai me acordar todo dia as 6 da manhã pra caminhar. Medo.

Outra coisa assustadora nessa mudança é que eu não simpatizei com nenhum restaurante perto de casa. O que significa que eu estou cozinhando. Até me diverte bastante, mas algumas coisas não ficam exatamente gostosas (fora meu macarrão com salsicha, qeu deu certo de primeira!).
Finalizando, o prédio. Eu moro no terceiro andar de um prédio sem elevador. Já era bastante legal chegar no terreo, perceber que estava chovendo e ter que subir tudo de novo pra pegar um gurda-chuva. Ficou ainda melhor agora que o interfone não funciona. Se alguém chega pra me ver, eu tenho que descer, abrir o portão e subir de novo. Quando a pessoa vai embora, lá vai eu descer e subir mais uma vez. Três andares. Super.
O pior, o mais estranho de tudo, é que depois de três semanas e todas as alterações possíveis de humor que uma mulher é capaz de ter (não são poucas), eu percebi que tudo isso me diverte muito. Desde o meu surto de choro até o arroz que virou uma papa, essa têm sido a mudança mais agitada da minha vida. E simplesmente não reclamo mais disso. Não tenho motivo (sem ironia, é sério).