
"Quero desejar, antes do fim
a mim e aos meus amigos
muito amor e muito mais
Que fiquem sempre jovens
Que tenham as mãos limpas
E aprendam o delírio com coisas reais"
Músicas, filmes e o que mais vier à cabeça


O carinha do Vanguart, Hélio Flanders, se encaixa no tipo de ídolo que eu odeio ter: aqueles que tem mais ou menos minha idade. Você olha e fala: compoe bem pra caramba, roda o Brasil fazendo show, vive de arte, tem um cd gravado e eu tô fazendo o que. Mas tenho que dar o braço a torcer: puro mérito. Ouvi por acaso, faz tempo, "semaforo", que tava fazendo sucessinho uma época, gostei, mas sabe-se-lá-porque não fui mais atras. Era legal as vezes pegar ela no rádio, mas só. Daí ouvi eles no Som Brasil, uma homenagem ao Raul Seixas. E depois, quando me ganharam de vez, em um programa que não lembro, que deu pra eles tocarem uns três trechinhos de músicas deles.








O CD vazou. Um mês antes do esperado. Minha primeira reação foi gostar com aquele fanatismo que só alguém que sabe que está errado tem. Eu pensava que era um CD pra ser digerido. Acontece que não é. Mas, vejam, também não é um CD ruim. Alguém na comunidade disse: "impecável nas duas propostas", e realmente é isso: impecável. Sem pecados. Mas sem ultrapassar ou reinventar essas propostas em nenhum momento. É um CD que não passa dos limites. Fosse qualquer outra banda, provavelmente eu gostaria dele. Mas é Beirut e foi uma decepção. 
Como Em Hoje é dia de Maria. É teatral, barroco, over até. Talvez por isso a realidade nunca é clara, tanto no Lavoura, quanto aqui, tudo é meio absurdo, no primeiro porque são relatos de um pertubado, e nesse, porque é a visão de uma menina, e também porque é um conto de fadas. As cenas mais bonitas? Escolho duas do primeiro: Maria virando adulta é uma, e ela cantando com o Passaro, outra. E a atriz da vez é Leticia Sabatela. Mais uma coisa: dessa vez, ele fez tudo: o roteiro, a direção, e até compôs (ainda tem acento?) as músicas. Talvez não seja à toa que eu acho esse o maior trabalho dele.
Pelo que li, infelizmente não agradou. Como a Pedra do Reino (não assisti, então não falei) também não tinha agradado. Parece que a situação do cara na Globo já não era das melhores, e depois de Capitu ficou pior. Mesmo assim o cara continuou fazendo do jeito dele, sem tentar tornar nada mais "digerível", pelo contrário, cada trabalho mais difícil que o anterior. E é exatamente por isso que eu acho o cara um gênio - porque ele está ficando louco. Ele tá mandando pra Globo, pro ibope, pra fama, pra grana um belo de um sifudê, e fazendo as coisas como ele quer, quer gostem quer não. E as coisas na cabeça dele tão crescendo tanto, que ele nem pensa mais em público - que é o fim de toda a arte - ele só se concentra nesse mundo dele. Provavelmente vai terminar miserável. Mas pode ser eterno.
O Selton Melo é o dono do filme. Bem mais da metade desse filme é feito só dos seus monologos pertubados. O cara destrói. Depois desse filme, eu passei a respeitar ele pra caramba. Uma das melhores cenas do filme - que, sem exagero, acho uma das melhores cenas do cinema nacional - é um dialogo entre ele e o pai, Raul Cortez. Raul Cortez é o pai, simbolo de sabedoria e paciência da familia, o tronco que segura tudo. Selton Melo é André, o filho desragado, segundo ele mesmo, epilético e possuído. Só imaginem como é esse dialogo.

