
Acabei de ler "Lavoura Arcaica" do Raduan Nassar. E sinto que esse post vai ser longo, muito longo. Como ninguém lê posts longos, acho que vou acabar dividindo ele em dois ou três. É muita coisa pra falar.
Todo mundo acha óbvio dizer "começar pelo começo", mas eu vejo tantos começos nas coisas, que começar pelo começo acaba se tornando muito confuso pra mim. Se fosse pra eu começar pelo começo mesmo, eu iria falar do livro, depois do autor, depois do filme e do diretor, e já que eu sou apaixonada por ele, provavelmente eu ia começar a falar de todos os outros trabalhos dele.
Mas vou começar pelo MEU começo. E meu começo foi o filme, e eu não conhecia diretor, livro, ou autor. Lavoura Arcaica. Não conhecia nem criticas, só os atores mesmo. E sempre gostei do titulo. Da sonoridade, Lavoura ARcaica. Tinha vontade de assistir só por causa disso, do mesmo jeito que sempre quis ler " a insustentavel leveza do ser" pelo mesmo motivo. Quem consegue colocar titulos assim, no minimo bom gosto tem que ter. E noção de som.
Enfim, peguei o filme por causa do titulo mesmo. Na época, lembro de ter gostado, mas nada mais que isso. O que ficou mesmo foi uma sensação de estranhamento, que eu nem dei bola. Eu me lembro de ter pensado comigo, quando eu descobri que era uma adaptação, que deveria funcionar bem mais em livro do que em filme (foi daí que me veio a vontade de ler o livro). Hoje eu vejo que provavelmente foi o melhor da época.
Antes da sinopse, os atores: Selton Melo (que pelo que eu me lembre nunca errou feio), Raul Cortez (assistam, o cara é foda), Caio Blat (que é metido a intelectual, mas também não é de errar muito), Simone Spoladore (ela não fala UMA palavra o filme inteiro, e arrasa! Isso que é ter presença), e outros desconhecidos, tão bons quanto esses.
O Selton Melo é o dono do filme. Bem mais da metade desse filme é feito só dos seus monologos pertubados. O cara destrói. Depois desse filme, eu passei a respeitar ele pra caramba. Uma das melhores cenas do filme - que, sem exagero, acho uma das melhores cenas do cinema nacional - é um dialogo entre ele e o pai, Raul Cortez. Raul Cortez é o pai, simbolo de sabedoria e paciência da familia, o tronco que segura tudo. Selton Melo é André, o filho desragado, segundo ele mesmo, epilético e possuído. Só imaginem como é esse dialogo.Daqui, eu descobri o livro, o autor... mas eu vou deixar esse meu meio pro final, e continuar falando do filme, especificamente do diretor, que eu só descobri agora - Luis Fernando Carvalho. E aqui termina o post sobre o filme, porque esse cara merece um só pra ele - só que depois.
Um comentário:
SElton Mello quase nunca erra mesmo, mas está tão ruim em O Coronel e o Lobisomem que eu nem consegui ver o filme.
Luis Fernando Carvalho, antigo diretor de novelas, fez Capitu, fez os dois Hoje é Dia de Maria. E é um cara mesmo inteligente...
vc sempre com bom gosto e dando orgulho pro amigo!
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