terça-feira, 20 de janeiro de 2009

O Próximo Post

Como prometido, com algumas cenas que eu citei:

Simone Spoladore dançando, em Lavoura Arcaica
(pra quem não assistiu o filme e tem interesse, é melhor ver só até os 2:00)



Maria (Letícia Sabatela) cantando com o Amado (Rodrigo Santoro)
(e paciência que o o dueto só começa 3:44)


Capitu (Letícia Persiles) traçando o caminho de Bentinho (Michel Melamed)

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Luis Fernando Carvalho


Esse barbudo aí do lado. Luis Fernando Carvalho. Pela ordem que minha memória coloca: Rei do Gado, Lavoura ARcaica, Hoje é dia de Maria (os dois) e Capitu.

Rei do Gado, então. Eu não me lembro de quase nada, mas sabe quando sua cabeça guarda cenas que não faz sentido guardar? Você não sabe bem porque guarda. Pois bem, eu lembro da primeira vez que a Patricia Pillar apareceu na novela. Ela estava chegando na fazenda do Antônio Fagundes, e ficou olhando pra fazenda. Daí deu um close no rosto dela, não lembro se ficou tocando alguma coisa, lembro de alguém comentando que até-parece-uma-retirante-ser-bonita-assim, enfim!...Foi uma das poucas cenas que eu lembro da novela, e mais pra frente vai dar pra entender porque eu citei. Outra coisa que eu lembro é que todo mundo gostava muito dessa novela. Mas era só uma novela, não dá pra pedir uma obra de arte, além disso, o cara era só o diretor, e todo mundo sabe que em novela quem manda mesmo é roteirista.

Então veio Lavoura Arcaica, que eu falei ali embaixo. E, fora a cena do diálogo do pai e do filho, as duas cenas mais simbólicas e bonitas do filme são da Simone Spoladore, o que é esquisito, já que ela não fala uma palvra o filme inteiro. Pois é, são cenas de dança. E a Simone Spoladore, que apesar de ter um charme único, não é exatamente linda, enche a tela toda, o lugar todo, hipnotiza. Ela fica mais que linda, ela fica deslumbrante. O cara ainda é só o diretor, mas no cinema a coisa é bem diferente - o diretor é quase um deus, o roteiro é só um apetrecho, um detalhe (só pra citar um exemplo, o Hitchcock só escolhia livros medíocres pra adaptar). Então o filme todo, apesar de respirar Raduan Nassar, tem toda a cara do Luis Fernando Carvalho. Como qualquer filme do Tarantino você quase pode ver o Tarantino através da cena, ou o mesmo em um Tim Burton, ou um Miyazaki - o Luis Fernando Carvalho também criou uma marca d'agua nesse filme, que repetiu em todos os trabalhos seguintes.

Como Em Hoje é dia de Maria. É teatral, barroco, over até. Talvez por isso a realidade nunca é clara, tanto no Lavoura, quanto aqui, tudo é meio absurdo, no primeiro porque são relatos de um pertubado, e nesse, porque é a visão de uma menina, e também porque é um conto de fadas. As cenas mais bonitas? Escolho duas do primeiro: Maria virando adulta é uma, e ela cantando com o Passaro, outra. E a atriz da vez é Leticia Sabatela. Mais uma coisa: dessa vez, ele fez tudo: o roteiro, a direção, e até compôs (ainda tem acento?) as músicas. Talvez não seja à toa que eu acho esse o maior trabalho dele.


E enfin! Capitu, que eu tenho enrolado tanto pra falar. Não é melhor que Hoje é dia de Maria, mas é divino também. As mesmas marcas que eu citei acima foram exploradas até o limite, passando dele várias vezes, o que não diminui de jeito nenhum a qualidade da obra. É muito teatral, os atores realmente interpretavam como em um palco, exagerando os trejeitos, os gestos. É muito barroco, os cenários, os figurinos, a maquiagem, até a trilha sonora. Some-se os dois e tenha o projeto mais over da televisão brasileira - e um dos mais geniais. A Capitu garota, Leticia Persilles foi a musa da vez e conseguiu o inimaginável - brilhar tanto quanto, ou até mais, que a Maria Fernanda Cândido (embora seja até injusto, porque a Capitu só ficou adulta nos dois últimos episódios, quando o foco do Bentinho era o Escobar). A cena é a Capitu menina riscando com giz no chão um traçado que o Bentinho velho segue rindo, mas com dificuldade (toca Beirut, é claro). O roteiro é do Machadão.

Pelo que li, infelizmente não agradou. Como a Pedra do Reino (não assisti, então não falei) também não tinha agradado. Parece que a situação do cara na Globo já não era das melhores, e depois de Capitu ficou pior. Mesmo assim o cara continuou fazendo do jeito dele, sem tentar tornar nada mais "digerível", pelo contrário, cada trabalho mais difícil que o anterior. E é exatamente por isso que eu acho o cara um gênio - porque ele está ficando louco. Ele tá mandando pra Globo, pro ibope, pra fama, pra grana um belo de um sifudê, e fazendo as coisas como ele quer, quer gostem quer não. E as coisas na cabeça dele tão crescendo tanto, que ele nem pensa mais em público - que é o fim de toda a arte - ele só se concentra nesse mundo dele. Provavelmente vai terminar miserável. Mas pode ser eterno.

Por fim, só pra explicar o motivo porque eu citei todas aquelas cenas. Primeiro, claro, pra demonstrar o talento dele. Depois, porque, não sei se vocês repararam, a maioria tem como centro mulheres (ou meninas, tanto faz). Em tudo que eu assisti dele, sempre as mulheres eram as responsáveis por desencadear toda a história. São sempre o centro do mundo, que fazem todas as outras pessoas girarem - e tem um poder de construir tão forte quanto o de destruir. Por mais esse motivo eu ainda aposto alto nele, porque sempre achei que a paixão (não a dor, nem o amor) é o melhor combustivel pra arte. E esse é o diretor mais apaixonado que eu já vi.





Bom, de nada adiantou dividir os posts - esse também ficou gigante. Ninguém vai ler, quer apostar? Prometo que nos próximos quatro ou cinco eu me seguro mais.
E só pra provar que dá pra confiar em mim, que venha o próximo post, só com algumas das cenas maravilhosas que eu citei nesse.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Lavoura Arcaica


Acabei de ler "Lavoura Arcaica" do Raduan Nassar. E sinto que esse post vai ser longo, muito longo. Como ninguém lê posts longos, acho que vou acabar dividindo ele em dois ou três. É muita coisa pra falar.

Todo mundo acha óbvio dizer "começar pelo começo", mas eu vejo tantos começos nas coisas, que começar pelo começo acaba se tornando muito confuso pra mim. Se fosse pra eu começar pelo começo mesmo, eu iria falar do livro, depois do autor, depois do filme e do diretor, e já que eu sou apaixonada por ele, provavelmente eu ia começar a falar de todos os outros trabalhos dele.

Mas vou começar pelo MEU começo. E meu começo foi o filme, e eu não conhecia diretor, livro, ou autor. Lavoura Arcaica. Não conhecia nem criticas, só os atores mesmo. E sempre gostei do titulo. Da sonoridade, Lavoura ARcaica. Tinha vontade de assistir só por causa disso, do mesmo jeito que sempre quis ler " a insustentavel leveza do ser" pelo mesmo motivo. Quem consegue colocar titulos assim, no minimo bom gosto tem que ter. E noção de som.

Enfim, peguei o filme por causa do titulo mesmo. Na época, lembro de ter gostado, mas nada mais que isso. O que ficou mesmo foi uma sensação de estranhamento, que eu nem dei bola. Eu me lembro de ter pensado comigo, quando eu descobri que era uma adaptação, que deveria funcionar bem mais em livro do que em filme (foi daí que me veio a vontade de ler o livro). Hoje eu vejo que provavelmente foi o melhor da época.
Antes da sinopse, os atores: Selton Melo (que pelo que eu me lembre nunca errou feio), Raul Cortez (assistam, o cara é foda), Caio Blat (que é metido a intelectual, mas também não é de errar muito), Simone Spoladore (ela não fala UMA palavra o filme inteiro, e arrasa! Isso que é ter presença), e outros desconhecidos, tão bons quanto esses.

O Selton Melo é o dono do filme. Bem mais da metade desse filme é feito só dos seus monologos pertubados. O cara destrói. Depois desse filme, eu passei a respeitar ele pra caramba. Uma das melhores cenas do filme - que, sem exagero, acho uma das melhores cenas do cinema nacional - é um dialogo entre ele e o pai, Raul Cortez. Raul Cortez é o pai, simbolo de sabedoria e paciência da familia, o tronco que segura tudo. Selton Melo é André, o filho desragado, segundo ele mesmo, epilético e possuído. Só imaginem como é esse dialogo.

Daqui, eu descobri o livro, o autor... mas eu vou deixar esse meu meio pro final, e continuar falando do filme, especificamente do diretor, que eu só descobri agora - Luis Fernando Carvalho. E aqui termina o post sobre o filme, porque esse cara merece um só pra ele - só que depois.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Top 5 2008

Reveillon é minha data preferida do ano. Empata com meu aniversário. Mas não há nada que eu possa dizer sobre ele que já não tenha sido dito, então eu vou pular direto pro clichê dos clichês de fim de ano e fazer minha listinha dos melhores.

Top 5 CDS que eu ouvi

1. Beirut - The Flying Club Cup (mais o EP Long Island) - Sem mais comentários, certo?
2. Mika - Life in the Cartoon Motion - O melhor cantor gay desde Fred Mercury
3. The Killers - Day and Age - Não enjoo deles, e ainda acho que vai ser uma das maiores bandas da nossa época
4. The Shins - qualquer um deles - mais uma descoberta que amei
5. MGMT - Oracular Espetacular - Acho que foi umas das bandas mais ousadas que eu escutei esse ano

Nada de brasileiro pra variar, sou uma vendida mesmo. Bom, mas o que dizer de um ano em que o hype da vez é a Malu Magalhães?




Top 5 filmes que eu assisti


1. Café da Manhã em Plutão - que pra minha surpresa, quase ninguém para quem eu mostrei gostou
2. Ligações Perigosas - porque eu adoro filmes sobre manipuladores
3. Juno - Uma das melhores personagens femininas de todos os tempos
4. Queime Depois de Ler (fazer um tópico pra ele)
5. A última Noite de Boris alguma-coisa, do Woody Allen - pra mim, o Allen só errou uma vez na vida, com Melinda e Melinda, e mesmo assim, se salva só pela boa idéia

E só agora reparei que Ligações Perigosas é o único que não tem nada de comédia.



Top 3 livros que eu li

1. Arnaldo Jabor - Eu sei que vou te amar
2. Rubem Braga - Lucia McCartney
3. John Steinbeck - A Leste do Eden

Pois é, vergonhosamente, só li três livros esse ano. Mas descobri Caio Fernando Abreu!